quinta-feira, 12 de setembro de 2013

lamento...

Tempo que cutuca daqui
Que cutuca de lá
Que corre daqui
Que corre pra lá

Que olha no fundo
E no fundo é um sei lá
Que foge de mim
E que vai pra lá

Tempo que brinca com a gente
E com a gente não quer estar
Que prega peças na vida
Que coloca peças na vida
Que não fica aqui
Só fica por lá

Ai que saudade do tempo
Que um dia foi o meu lamento
Lamento de ti
Lamento de lá
Lamento daqui
Lamento pra cá

azul...

Porque dói tanto?
Porque sua falta corrói meus sentimentos?
Foi tão pouco tempo
E ainda assim, tão intenso

Porque dói tanto?
O cheiro da tua roupa no meu cabelo
Seu sorriso faceiro
Teu olhar indescritível

Porque dói tanto?
Aquilo que foi tudo
E ao mesmo tempo não foi nada

Aquilo que por alguns segundos
Foi meu mundo
E no instante seguinte
Eu já não tinha mais nada

Porque dói ficar longe de você?
Porque dói mais ainda te querer?
Porque já não consigo mais controlar minha saudade de você?

Eu só queria estar ao seu lado
Poder te tocar
Poder te querer
Poder ter você

Eu só queria estar aí
Mergulhar em seus olhos
E me afundar no oceano desse azul

Azul celeste? Azul real?
Não, azul marinho...
O azul da imensidão
O azul do seu e do meu coração.

quarta-feira, 6 de março de 2013

os sonhos dela...

A luz atravessou a janela
De repente não havia
Mais nada
Além dela

A vida já não dizia
Não falava o que queria
Somente em silêncio
Sofria
Esperando o dia
Em que o sonho finalmente despertaria

As cores finalmente surgiram
Dentre as estrelas eclodiram
O mundo voltou a ter cor
E ela por fim, sentiu o amor

No entanto, o que ela não sabia
É que um dia tudo se acabaria
Exceto as lembranças
Do que mais marcou sua vida

O que ela infelizmente não aprendeu
Nem percebeu
É que o mundo em que vivia era cruel
E que para ela ser feliz
Teria que seguir o que foi escrito pelas estrelas no céu...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

passageiro da vida...

O tempo passa
Se não o tempo
As pessoas passam

A vida passa
Se não passa
Passageira ainda é

Nós passamos
E se não passo
Tu não passas
Pois no compasso do tempo
Só passas tu,
Se passo eu

Só chega a ti
Se chega a mim
Só passa o tempo
Se a vida passa

E se passageiro não és,
Sua vida não passa,
Perpassa

No tempo que aqui e acolá
O mundo passa
O que não passa
Há de um dia passar.


Santa Maria - RS, data marcada para sempre (27/01/2013)

Madrugada de um domingo comum
Festas por aí afora
Com pessoas comuns
Festejando a vida

Uma infelicidade
Um pecado que resulta no fim
De repente a escuridão toma conta
E o que antes era festa
Torna-se desespero

Rua dos Andradas, 1925
Santa Maria - RS
O lugar onde a dor tomou o mundo
Onde a única coisa que se ouve
É o silêncio de quem se foi
E o choro de quem ficou

A cor éo preto
O ar é o desespero
O desejo é a justiça

Mais de 230 vidas perdidas
Escurecidas para sempre em meio a melodia

Mais de 230 vítimas
Buscadas por pais, irmãos, amigos, família
Estes ansiando por um último abraço
Um último suspiro
E aqueles, perdidos na vida que foi em vão

Jovens que morreram de maneira aterrorizante
Pais enterrando filhos
Choro formando rios

A ordem das coisas de repente mudou
Nada mais faz sentido
A não ser o terror e a dor

Seguir em frente?
Sim, é preciso
Mas como?

Como seguir com tantas vidas perdidas?
Como continuar vendo pais sem seus filhos?
Como permanecer em meio a tanto terror?

Foram 104 ligações para sua filha
Uma sinfonia de celulares tocando em meio a agonia
Onde pais, irmãos, amigos
Buscavam aqueles que não atenderão jamais

Fumaça assassina
Que acabou com a vida de mais de 230 crianças
Mais de 230 sonhos,
230 amores,
230 esperanças
Que ficaram para trás.

Em segundos a cortina se fechou
A história terminou
E a luz para sempre se apagou

Sim, é preciso seguir a vida
É preciso honrar aquelas que por uma injustiça
Ficaram perdidas
É necessário salvar o país do luto
E zelar para que o filme não se repita!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

por favor, vá embora...

Bate lá fora
E eu aqui dentro
Bate lá fora
Por favor, vá embora

Vento que uiva
Nuvem que chora
Fico sozinha
Esperando você

Me diz, porquê?
Por quê você?
Por quê agora?
Diga o porquê e, por favor
Vá embora!

Leve contigo
O que tenho comigo
Vá e me deixe
Pois sozinha eu consigo

Enquanto como dois,
Eu apenas lhe sigo...

dezoito...

Ela tinha o sonho
de chegar aos dezoito
Linda, bela
Ser dona de si

Ter tudo em suas mãos
Todos aos seus pés
Ir pra onde quiser
Sem dar satisfação

Ela tinha um sonho
Apaixonar-se
Se aos 18, melhor
Se não, que fosse outra hora qualquer

Aos dezoito, ela chegou
Sonhou, beijou,
se embriagou com a cólera da idade
E por fim, se realizou

Mas foi também aos dezoito
que percebeu que sentia saudades dos oito
Pois lá ela sabia o que era real
E aqui já não

Lá ela sentia quem lhe amava
E aqui, também não
"Ah, se eu soubesse o valor dos oito,
jamais desejaria tanto os dezoito..."